"- Oficialmente não jogo mais. Parei. Minha fase passou. Tenho consciência de que tudo foi muito divertido. Pensei, repensei. Agora parei".
Essas são as últimas palavras de Romário como jogador de futebol.
O que se perde realmente com essa despedida?
Se perde o último dos gênios dos campos de futebol, se perde uma pessoa verdadeira, autêntica, obstinada pelo sues objetivos e desejos.
Se perde o homem que papai do céu olhou e disse: "Esse é o cara".
Minha história com Romário é muito peculiar. Nunca escondi de ninguém que o jogador que eu mais admirava com a camisa do meu Vasco era o Edmundo, fato esse que me fazia ter alguma ressalva sobre ele.
Fato é que nunca presenciei e talvez nunca mais veja alguém que tenha um poder de decidir como ele. Um fato que ilustra muito bem isso aconteceu em 2005 quando passavamos talvez o pior momento da nossa história atual no futebol, aonde tinhamos perdido de sete do atlético-pr, estavamos em último no campeonato brasileiro, jogavamos contra o são caetano e perdiamos de 2 a 0, quando inesperadamente empatamos o jogo sem um gol sequer de Romário.
Só que ali o destino apontava para ele de novo e aos 47 do segundo tempo, Romário inesperadamente volta ao campo de defesa do Vasco para ajudar em um escanteio. vendo o jogo penso: "Logo ele, baixinho daquele jeito quer ajudar na defesa". E não é que o baixinho ajuda, no escanteio o zagueiro corta e a bola caí nos pés de Romário, que rapidamente avança e faz um lançamento do seu campo de defesa nos pés de Alex Dias que faz o gol da virada e o da fuga da última colocação.
Esse depoimento longo, já vai tomar um sentido.
Ao sair do estádio, cercado pelos jornalistas e aclamados pelos torcedores, Romário chama para sí a responsabilidade do time e crava que não acontecerá o rebaixamento do Vasco. dita essas palavras não só não caímos como ele ainda foi o artilheiro do campeonato com 21 gols.
Esse é Romário. Cara predestinado, sincero e o melhor de tudo.
Sabia que poderia vencer e venceu.
Aqui eu peço minhas humildes desculpas se um dia duvidei de sua capacidade. Você me fez ver coisas inacreditáveis nos gramados, desde os tempos que eu te via quando era pequinininho em Resende junto a meu pai, até o seu milésimo gol que eu esperei e banquei que aconteceria.
PS: Grato eternamente pelo título inesquecível da Mercosul 2000, do chocalete de Páscoa, do brasileiro 2000 e dos gols contra o Flamengo.
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