Pois foi justamente essa mistura de irracionalidade e manifestação de sentimentos que marcou minha incursão pelo campo novinho do Pacaembu, no jogo Corinthians versus Fortaleza.
Como bom torcedor palestrino, dirigi minhas “vibrações positivas” para o Fortaleza, embora estivesse no meio da torcida corintiana, bem no centro do tobogã. Aglomeração de gente que jamais vi em espaço tão exíguo.
O primeiro tempo transcorreu sem incidentes. A questão da irracionalidade fica por conta do seguinte quadro: quando os jogadores corintianos, com a pontaria de um Mister Magoo (aquele personagem míope dos filmes de outrora) chutavam a bola ao gol e ela desenhava uma reta distante pelo menos uns vinte metros de qualquer dos dois ângulos superiores do gol do Fortaleza, ainda assim um sonoro “Huuuuuuuuuuuuuuuuuu!” aparecia, quase por encanto, no meio da torcida, som acompanhado de um erguer repentino de mãos à cabeça, por parte dos torcedores.
Esses torcedores sabiam, perfeitamente, que aquelas bolas não tinham a menor possibilidade de entrar no gol, mesmo assim agiam como se “tivesse sido por pouco”. Mas não era. Era por muito. E isso só reforçava a impressão de que os torcedores eram seres estranhos, perdidos na fantasia, longe da realidade.
Pois bem. Passei, junto com a Boi na Rede, para o lado da torcida do Fortaleza, para fazer algumas filmagens. Eram poucos os torcedores. Para mim, meia dúzia de “gatos pingados”. Para o Menino do Rio, muito mais minucioso do que eu, eram 500.
Como “temporariamente” torcedor do Fortaleza, vibrei, com meu jeito acanhado e silencioso, com alguns bons (e poucos) passes dos jogadores desse time. Em um momento determinado, quase ao fim da partida, em boa chance do Fortaleza marcar o gol de honra, me vi como os torcedores do corintians faziam: levando as mãos à cabeça e fazendo “Huuuuu!”, quase solitariamente, diante de um chute que não tinha, racionalmente, a menor possibilidade de tornar-se um gol.
O futebol escapa da racionalidade. Ainda bem.
