sábado, 29 de março de 2008

Camisa roxa: gooool, contra?

Será que alguém, não corinthiano, consegue entender um corinthiano?

Boa parte da torcida, que suportou a segundona no brasileirão, não aceita de maneira nenhuma a camisa roxa.

A camisa que será estreada oficialmente amanhã pelo Timão, contra o Marília, foi motivo de protesto essa semana e o muro do Parque São Jorge foi todo pixado. Os apaixonados pela camisa preta e branca fizeram até uma comunidade no site de relacionamento “Orkut” chamada “CAMISA ROXA NÃO”.

É curiosa essa questão, segundo o departamento de marketing do timão, a camisa roxa foi feita justamente para simbolizar o torcedor “roxo”. Porém, esqueceram de perguntar se era isso que o torcedor queria usar.

Resultado: Goooool, contra! “A camisa foi feita pensando nele, mas não para ele!”, dizem apaixonados pela Fiel.

A jogada de marketing não deu certo, o jeito é armar a defesa e sair em busca de um golaço para compensar o placar.

Por enquanto, ficamos na expectativa: qual será a reação dos torcedores quando os jogadores estiverem em campo com a camisa tão desprezada? Aliás, não é só a camisa do Timão que é roxo, o ônibus que levará os jogadores até o estádio do Morumbi também é roxo.

Vamos ver se Mano e seus “soldados” conseguem fazer com que o futebol apareça mais que o detalhe roxo.

Os apaixonados por futebol esperam que ninguém termine o jogo amanhã mais roxo que a camisa. Estar contra uma ação de marketing e protestar é saudável, porém partir para a violência não é coisa de corinthiano autêntico e fiel. Quem mancha de vermelho a camisa do próprio clube não é digna de vesti-la!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Diálogos

Dirigi a palavra ao Enxadrista, que estava inerte a um canto, olhos fincados num vazio reflexivo sem expressão, com meia dúzia de rugas presas entre os olhos:

- Que tens, Enxadrista?

- A blogosfera está mais burra hoje, Senhora. Mino Carta abandonou seu blog, em solidariedade ao...

- Paulo Henrique, expulso do IG. Sei... Notícia velha. E porque o espanto? Paulo e Mino conhecem perfeitamente o funcionamento do poder, o labirinto lamacento e bestial das relações entre imprensa e empresariado, que poriam de joelhos, horrorizado, mesmo meu amigo Minotauro. Ademais, estranho e trágico teria sido se Mino procedesse de outra forma, aquele velho e irremediável brigão.

- Verdade. Mas agora não veremos mais os textos elegantes de Mino, os pitacos e reflexões acertadas sobre futebol...

- Ora, não me envergonhe, Enxadrista. A blogosfera é mais anárquica que as entranhas de um Mikhail Bakunin. Ou só você não sabe que nela nada se perde, apenas troca de lugar?

- Sim, mas...

- Nada de "mas"! Termine seu artigo e vá para casa. Pegue sua menina, sirvam-se de um ótimo Rossese, e gargalhem madrugada a dentro.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Luque, a sorte está lançada

Na distante Luque, lá no distante Paraguai, o Tricolor Paulista joga hoje contra o Sportivo Luqueño. O Tricolor, distante do que já foi um dia, vai tentar apagar a borrascosa goleada que sofreu do Palmeiras, naquele não distante (mas fatídico, para os tricolores) jogo do Campeonato Paulista (4 a 1, lembram? E olha que o time já vinha de uma derrota para a Portuguesa).

Se vencer, o São Paulo será o líder do seu grupo na Libertadores. Se vencer, o São Paulo reassumirá o status ante seus torcedores. Se, e somente se, vencer hoje, os tricolores poderão dizer que o que importa mesmo para o São Paulo são os grandes campeonatos, e não as “minimalidades de um campeonatozinho paulista qualquer”, e tentar sair por cima, bem à moda dos tricolores.

Se perder, a torcida são-paulina poderá começar a cobrar os dirigentes do clube. Ao menos, ela deve pedir que eles evitem fazer comentários irresponsáveis, que somente acirram os ânimos dos clubes rivais.

O jogo é hoje, lá no nosso vizinho, às 19h20.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Abrem-se as cortinas para o espetáculo da velocidade

Começou a temporada 2008 da Fórmula 1, e a prova da Austrália foi um espetáculo a parte. Primeira corrida desde 2002 sem o controle de tração (sistema eletrônico cuja função é manter a tração das rodas, garantindo que não haja derrapagem durante o período em que houver aceleração) a prova teve tudo aquilo que os amantes da velocidade esperavam.
Ultrapassagens, batidas, erros de pilotos, e uma vitória incontestável de Lewis Hamilton, com Nick Heidfeld em segundo com, mostrando que a BMW pode ser um grande incômodo para as demais equipes, e Nico Rosberg que chegou com a Williams em terceiro lugar fazendo seu primeiro pódio na carreira.
Pode-se ver alguns pontos interessantes na corrida australiana. O primeiro é claro foi o show de fritadas de pneus desde a volta de apresentação, ainda reflexo da readaptação ao carro sem o controle de tração.
Outro aspecto importante foi a superioridade das McLaren em relação aos outros na prova. O carro foi impecável e andou muito, tanto nos treinos quanto na corrida. Hamilton ganhou de ponta a ponta com extrema facilidade, sem em momento algum ser incomodado.
Já o terceiro vai para o incrível acidente do piloto da Toyota Timo Glock. O piloto perdeu o controle, passou por cima de um montinho “assassino”, o carro de despedaçou, rodou três vezes e por sorte bateu de leve no muro, sem causar maiores conseqüências ao piloto.
A temporada não começou bem para os brasileiros. Nelsinho Piquet foi tocado logo na largada e não conseguiu mostrar na pista e abandonou a prova na trigésima volta. Felipe Massa errou e errou. Na primeira curva colocou uma marcha errada, rodou até bater o bico do seu carro contra o muro das ruas de Melbourne. Depois forçou uma ultrapassagem em Coulthard, em um ponto difícil, por dentro, acertando em cheio o meio do carro do escocês e lhe tirando da corrida, Depois disso abandonou.
Já Rubens Barrichello fazia uma corrida perfeita, saindo da décima posição para o terceiro lugar até a equipe acabar com sua corrida. Foi chamado para o boxe em uma hora proibida; ao sair levou consigo o mecânico responsável pelo reabastecimento (isento de culpa, pois o mecânico que fica com a placa de liberação do carro levantou a mesma placa antes do tempo) e ainda por cima saiu do boxe com o sinal fechado. Teria terminado em sexto, mas foi desclassificado.
PONTO POSITIVO: A volta das ultrapassagens e de bons pegas na F1, onde o piloto é o que faz a diferença e não o carro.
PONTO NEGATIVO: Felipe Massa. Às vezes transforma seu arrojo em grandes trapalhadas.

terça-feira, 18 de março de 2008

Guerreiro Menino

A voz do “Guerreiro” ainda era firme, mas o placar já ia longe. Um lance que ninguém esperava abriu o marcador: “a bola foi lançada de muito longe, e jamais teria chegado aonde chegou não fosse o vento tê-la empurrado!”, assegurou um “especialista” na arquibancada. O fato decorreu assim:

A poucos metros do meio de campo, antes de passar para o lado adversário, o jogador lançou a bola. Mais para se livrar dela do que esperando uma jogada concreta, é bem verdade. E a redonda foi abraçar o peito do atacante, lá no cantinho, que aceitou o abraço e colocou-a, vagarosamente, no chão. Com a ponta da chuteira, empurrou a bola para as redes, que a aceitaram a contra-gosto.

O goleiro esmurrou o chão. Esse era apenas o primeiro, que, de tão fantástico, empurrou o time para frente, que agora já estava a cinco gols de diferença do adversário. Um horizonte inalcançável de distância.

Mas o “Guerreiro” se mantinha fiel, em pé, quase cuspindo os pulmões. Ainda dava ordens: “avança, recua, ataca, defende”. Ninguém mais ouvia. Todos os companheiros queriam apenas sair daquele campo.

Os olhos do “Guerreiro”, marejando, se encontraram com os olhos do pequeno torcedor impotente, que chorava compulsivamente na arquibancada. O campo era quase uma várzea, e o jogo nada valia. Mas para o “Guerreiro” e para o torcedor aquele jogo representava tudo. Tudo e mais um pouco.

Não se tratava unicamente de um jogo. Para o “Guerreiro”, era uma chance de ascensão. Para o torcedor menino, uma forma de esquecer os dias sombrios que passava em casa, mais encolhido do que esticado, mais chorando do que sorrindo, mais quieto do que falante e agitado.

Ao acabar o jogo, o “Guerreiro” deixou o time por outro maior.

Ao acabar o jogo, o moleque chorão voltou para casa. Mas sem o sorriso que sempre trazia no rosto depois do jogo, no qual o “Guerreiro” havia estraçalhado o adversário. Ao acabar o jogo, o garoto não esperou pela próxima partida. O time não teria mais o “Guerreiro”. O time não tinha mais o moleque torcedor. Naquela partida, o time ganhou mais um hiato nos seus quadros: o sorriso do moleque, que ninguém jamais havia percebido.